Daniela Mercury recebe prêmio de melhor música do Carnaval e reafirma a coroa em 2026

Daniela Mercury marcou o Carnaval de 2026 como quem sabe exatamente onde pisa e por que pisa. Não foi só mais uma passagem pela avenida: foi um recado em forma de trio elétrico de que o tempero do axé continua vivo, pulsando forte, atravessando gerações e arrastando multidões com a mesma autoridade de quem ajudou a escrever essa história com a própria voz.

Trio da Daniela Mercury na avenida

A cantora saiu nos dois circuitos  Barra-Ondina e Campo Grande  e, no caso do Barra-Ondina, há um detalhe que não é pequeno: Daniela não apenas brilhou ali. Ela foi pioneira e principal impulsionadora do percurso que virou símbolo do Carnaval moderno de Salvador. O circuito Barra-Ondina, conhecido como Circuito Dodô, ganhou força, identidade e projeção com a presença e a visão artística de Daniela, que transformou aquele caminho em vitrine da folia e em território de celebração popular.

Thales Breta e Mariana Ximenes prestigiam trio da cantora Daniela Mercury

E 2026 carrega um peso simbólico: são 30 anos dessa revolução autoral no Barra-Ondina, contando a partir de fevereiro de 2026. Três décadas de uma assinatura que ajudou a mudar o desenho do Carnaval, aproximando a festa de quem sempre quis estar ali e nem sempre pôde.

Nessa trajetória, Daniela também consolidou algo que virou tradição e virou essência: a pipoca. O desfile sem cordas, a rua de verdade, o povo junto, sem barreira. Desde 1999, a pipoca ganhou corpo e respeito com ela, reforçando um Carnaval mais democrático, mais aberto, mais da cidade.

E quando a gente olha o panorama completo, o tamanho dessa caminhada fica ainda mais claro: são 40 anos desde a primeira subida de Daniela em um trio elétrico, em 1983. Quatro décadas em que ela não apenas acompanhou o Carnaval baiano ela ajudou a reinventá-lo, insistindo na rua como lugar de pertencimento, de alegria e, também, de mensagem.

Daniela Mercury Recebe troféu das mãos do apresentador Betinho da Band

Foi nesse espírito que veio o reconhecimento: Daniela Mercury recebeu o Troféu Band de Melhor Música do Carnaval Baiano, em um momento de entrega ao vivo, pelas mãos dos apresentadores Betinho e Patricia Maldonado. E não teve como disfarçar: Daniela se emocionou. Porque ali não era só um prêmio. Era a confirmação pública de que esforço, entrega e coragem artística seguem fazendo sentido  e fazendo história.

Malu Verc?osa comemora a música do carnaval com Daniela Mercury

Na avenida, a cena foi clara para qualquer um que estivesse por perto: um mar de gente. A alegria puxada por Daniela tinha aquela força que não se fabrica em estúdio, não se compra em campanha, não se improvisa em cima do trio. É construída no tempo, na consistência e no vínculo com o povo. Por isso, em 2026, ficou evidente: a coroa permanece firme.

Daniela e os foliões no carnaval de Salvador

E Daniela não entrega apenas música. Ela entrega posicionamento. Seu show na avenida segue atravessado por temas que ela nunca tratou como “assunto da moda”, e sim como compromisso: enfrentamento ao machismo, ao patriarcalismo, ao coronelismo e a defesa de mais espaço para as mulheres, dentro e fora da festa.

A música vencedora do prêmio, “É Terreiro!”, chega exatamente nessa potência. Daniela traz a força do feminino em uma leitura espiritual e cultural que ecoa na rua: a presença dos Exus femininos e a energia de Maria Padilha, como símbolo de resistência, de autonomia e de voz. É Carnaval, sim mas é também narrativa, identidade e afirmação.

No fim, o troféu consagra o que o povo já tinha decretado na avenida: Daniela Mercury não está apenas “participando” do Carnaval de 2026. Ela está, mais uma vez, ajudando a definir o que ele é. E quando uma artista consegue fazer isso por 40 anos, atravessando circuitos, gerações e mudanças, não é só prêmio que ela recebe. É um capítulo a mais na história que ela mesma ajudou a fundar.

Ivete convida Daniela e faz dueto no circuito Campo Grande

Na tarde de terça-feira de CarnavalIvete Sangalo convidou Daniela Mercury para subir no trio e, juntas, elas dividiram a avenida ao som de “É Terreiro” e “Zum Zum Babá”. Um encontro daqueles que o povo não esquece: duas gigantes, lado a lado, celebrando a música, a ancestralidade e a energia que move Salvador. Na prática e no simbolismo, Ivete e Daniela reafirmaram o que 2026 deixou ainda mais evidente  elas são a força do feminino no Carnaval baiano.

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