Plataforma dobra a exigência para novos canais monetizarem, cria meta mínima para o Fundo de Shorts e dá prazo até 31 de janeiro para quem já é parceiro aceitar os novos termos
O YouTube vai mudar as regras de monetização em 1º de fevereiro de 2027. São as primeiras mudanças significativas no Programa de Parcerias (YPP) desde 2018, anunciadas pela plataforma em 10 de agosto. Para quem ainda não é monetizado, a conta é direta: a exigência de entrada dobra. Para quem já é parceiro, há uma meta nova nos Shorts e um prazo administrativo que não pode ser esquecido.
Faltam cerca de 115 dias para a data limite de aceite dos novos termos.
O dinheiro não some, ele é redistribuído
O YouTube afirma que o programa tem mais de 3 milhões de criadores e que espera pagar mais aos criadores em 2027 do que em 2026. A mudança, portanto, é de distribuição: as regras para entrar e para receber do Fundo de Shorts ficam mais rígidas, e uma nova fonte de receita, o Premium Lite, entra na divisão.
Mudança 1: a porta de entrada fica duas vezes mais estreita
A nova exigência vale para canais que pedirem a entrada no YPP a partir de 1º de fevereiro de 2027.
| Critério (todos exigem 1.000 inscritos) | Hoje | A partir de 01/02/2027 |
|---|---|---|
| Vídeos longos | 4.000 horas de exibição pública em 12 meses | 8.000 horas em 365 dias |
| Shorts | 10 milhões de visualizações qualificadas em 90 dias | 20 milhões de visualizações qualificadas em 90 dias |
O YouTube justifica a alteração pelo tamanho da plataforma, que registra mais de 200 bilhões de visualizações diárias de Shorts e mais de 1 bilhão de horas assistidas por dia em televisores.
Quem já está no YPP não é afetado: o status é mantido, segundo a página de ajuda do YouTube. Também não mudaram os critérios de acesso aos recursos iniciais, como apoio dos fãs, Creator Partnerships e Shopping.
Mudança 2: Fundo de Shorts passa a ter meta mínima
Para continuar recebendo do Fundo para Criadores de Shorts, o canal precisará manter 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias.
Quem ficar abaixo disso não é removido do programa. Continua recebendo de vídeos longos, apoio dos fãs e outras receitas, e volta a participar do fundo quando atingir a meta de novo. O YouTube também anunciou novos programas de incentivo para Shorts, com bônus, mas ainda sem um benefício universal que o criador possa pedir hoje.
Mudança 3: Premium Lite chega a todos os países do Premium
A assinatura mais barata do YouTube será expandida para todos os países onde o Premium existe. A receita será dividida em dois fundos:
- 30% da receita líquida das assinaturas do Premium;
- 60% da receita líquida das assinaturas do Premium Lite.
Esses fundos são distribuídos conforme o tempo de exibição e as visualizações dos assinantes. Dessa distribuição, os criadores recebem 55% para vídeos longos e 45% para Shorts. O YouTube diz que, em média, um assinante Premium rende mais ao criador do que o mesmo usuário assistindo a anúncios (com base no desempenho de 2026).
Mudança 4: aceitar os novos termos até 31 de janeiro
Este é o ponto mais fácil de esquecer. Quem já é monetizado deve revisar e aceitar os termos atualizados no YouTube Studio até 31 de janeiro de 2027.
Quem não aceitar não sai do programa, mas os ganhos dos módulos não assinados ficam pausados a partir de 1º de fevereiro. Segundo análises especializadas, os módulos são Monetização da Página de Exibição, Monetização de Shorts e, quando aplicável, o Módulo de Produtos Comerciais. O aceite é rápido, mas é preciso fazê-lo em cada módulo.
Outras mudanças em vigor
Shorts originais ganham prioridade. Em 30 de setembro, o YouTube informou que reduzirá a recomendação de Shorts que apenas republicam conteúdo de outros criadores sem acréscimo próprio. Pequenas edições técnicas ou mudanças de formato, como legendas e enquadramento vertical, não contam como mudança significativa. A plataforma pede que o criador traga voz, narrativa ou ponto de vista próprio. A medida atinge principalmente os canais de cortes.
Regras de anúncios mais flexíveis. O YouTube atualizou as diretrizes de conteúdo adequado para publicidade:
- Outubro: conteúdos de interesse público, como processos legislativos e debates sobre ações governamentais em andamento, poderão gerar receita de anúncios. A plataforma não divulgou a lista completa de casos, e cada vídeo continua sendo avaliado.
- Setembro: jogos e conteúdo roteirizado com uso, venda e promoção de drogas recreativas podem monetizar, assim como avisos de utilidade pública e conteúdo educativo que não glorifique o tráfico. Em jogos, vídeos com violência explícita entre 8 e 15 segundos podem gerar anúncios, enquanto a violência explícita nos primeiros 7 segundos continua sem qualificar.
- Agosto: esclarecimento sobre a monetização de representações de morte em conteúdo educativo, documental ou jornalístico.
O que fazer agora
Se o canal ainda não é monetizado:
- Tente atingir a meta atual (4.000 horas ou 10 milhões de views em Shorts, com 1.000 inscritos) antes de 1º de fevereiro e envie o pedido assim que cumprir os requisitos.
- Confira no YouTube Studio quanto falta e monte um calendário de publicações.
Se o canal já é monetizado:
- Aceite os novos termos no Studio antes de 31 de janeiro.
- Verifique quantas visualizações de Shorts o canal soma em 90 dias.
- Se o canal é de cortes, acrescente comentário, narrativa ou edição própria.
Antes x depois
| Ponto | Hoje | A partir de 01/02/2027 |
|---|---|---|
| Entrada: vídeos longos | 1.000 inscritos + 4.000 h em 12 meses | 1.000 inscritos + 8.000 h em 365 dias |
| Entrada: Shorts | 1.000 inscritos + 10 mi de views em 90 dias | 1.000 inscritos + 20 mi de views em 90 dias |
| Quem já está no YPP | Mantém o status | Mantém o status |
| Fundo de Shorts | Sem meta mínima | 10 mi de views qualificadas em 90 dias |
| Premium Lite | Disponível em parte dos países | Todos os países com Premium |
| Fundos de receita | – | 30% (Premium) e 60% (Lite); divisão de 55% vídeos longos e 45% Shorts |
| Termos do YPP | Termos atuais | Aceitar até 31/01/2027, senão os ganhos pausam |
| Shorts repostados | Alcance normal | Alcance reduzido sem contribuição própria |
Fontes
- Central de Ajuda do YouTube: “Mudanças no Programa de Parcerias do YouTube”.

